sexta-feira, 26 de junho de 2009

uma.gravidez.vomita.uma.mão.que.desampara


Caía montes de água na água dos montes.
Pensei que era um anúncio. Sorri.
Ele riu. Não tinha dentes podres. Gostei.
Trocámos o currículo.
Fez-se sol. Pontes.
Ouvi "lambia-te o priúdo todo". Não sorri. Mas caí.
Desci nopoço, e lambida gostei.
Senti um pénis nas amígdalas.
Sufocava de prazer.
Ele puxava-me os cabelos, como se a chuva fosse descer.
Senti o corpo efervescente com o ferro em brasa a marcar.
É isto o amor, afinal!
(pensei)
E nunca mais o vi.
Cresceram-me outras amígdalas.
«afinal o filho foi de Deus, mamã...»
Acho que ela, católica, nunca acreditou.
Fui nadar na chuva dura dos montes...


*quadro de Fred Einaudi

2 comentários:

Ó da Lisca disse...

Bela estreia!Parabéns...

Bisous***

Miguel Barroso disse...

Tanques, mai louve