domingo, 28 de junho de 2009

os olhos do coração (da gárgula)

A estrada cresce
na boca de criança. Rasga-lhe
a cara até à adolescência. Sente o frio
de tudo o que não é teu, gárgula
humana.

Por dentro a loucura misteriosa
que se debruça sobre
os vícios. Constrói a destruição,
calcorreando tantos (todos?)
atalhos para
a perda e morrerá
pela espinha do mau
caminho.

Acha-se estrela de filme, lufadas
de delírio, a invencibilidade
do prodígio. Na testa,
a estupidez
de ainda não ter ultrapassado
a árdua tábua da vida.

Já viste a tua mãe,
rapaz? Desertou!,
e é nas ondas que ela voltará (se). Pensas
que sabes tudo sobre
todos que não te partilham o sexo. Da testa
aos pés, viraste mestre da anatomia. E se eu,
apenas eu,
te perguntar o que é um
vergão,
saberás dar-me a resposta?

És criança; animal, rapaz; animal;
homem; flanco descontado
na espuma da vida. Sim,
morrerás pela espinha
da tua existência
menor.
******

pedro s. martins

3 comentários:

Cöllybry disse...

Intenso poema...Onde quase uma vida descreve...


|)’’()
| Ö,)
|),”
|
Doce beijo

ölhår_Îñðîscrëtö...Å ¢µ®¡ö§¡dädë

Pedro S. Martins disse...

Muito obrigado, Cöllybry.

Miguel Barroso disse...

A dor do crescimento é viciante. Parece a tua poesia, opiaceamente bela..